domingo, 6 de abril de 2014

Bailarina de São Vicente se destaca no Brasil e na Alemanha



"Foi difícil dizer tchau para minha família no aeroporto... Eu estava prestes a encarar uma vida completamente diferente. E `sozinha`". Foi assim que a moradora de São Vicente, Larissa Machado, 19 anos, descreveu o que sentiu no dia 3 de setembro de 2012, data marcada para sua ida à Alemanha. O motivo era o mesmo de tantos outros embarques: o balé, que já tinha rendido a oportunidade de conhecer cidades como Nova Iorque e Berlim.

Porém, desta vez, Larissa não entrou no avião com todos os colegas e professores do Balé Jovem de São Vicente. Mas, sim, com a expectativa de um futuro certo: estudar bacharelado de dança na Universidade de Dança de Dresden, a Palucca Hochschule für Tanz.

A oportunidade apareceu quando Larissa participou do festival Young America Grand Prix, em Nova Iorque, onde ganhou uma bolsa para estudar na Alemanha. "Foi uma experiência incrível e única", descreve. E não houve só essa chance para estudar no exterior: neste ano, a bailarina também ganhou uma bolsa na Alvin Ailey e outra no Conservatório Nacional de Dança em Portugal. Mas preferiu ir para Dresden. "Desde então, estou aprendendo muitas coisas. E adorando!".

Segundo ela, o local é muito diferente. "Estou encantada com a estrutura da escola, com as coisas novas que estou aprendendo, como a língua que, por sinal, é muito difícil", diz. Larissa também conta que conheceu muitos locais novos e diferentes, como São Petersburgo, na Rússia. A ida até lá se deve ao convite para representar a Universidade no 275º aniversário da Vaganova, uma das mais reconhecidas escolas de dança do mundo, onde a bailarina participou de uma gala. "Escolheram seis bailarinos para representar a Palucca nessa gala. E eu fiquei muito feliz de ter feito aula na Vaganova".

Larissa conta que se adaptou bem no país e fez amigos que são, para ela, como uma família. "Eles ajudam a suportar a distância, porque muitos de nós está na mesma situação: longe de casa e em busca de um sonho. Então, um acaba suportando e ajudando o outro".

Para superar a saudade, a bailarina conta que conversa com a família todos os dias. "Assim eu sinto que eles estão por perto e não percebo a distância". Larissa diz que sempre recebeu apoio dos familiares e amigos. "Sinto que sou abençoada por ter encontrado as pessoas certas. Meus amigos, tanto os que fiz aqui quanto os que estão no Brasil... Sei que tenho em quem confiar. E nem a distância apaga isso".

Toda essa experiência para a bailarina acaba se parecendo com um sonho. "A cidade é maravilhosa e é um sonho estar vivenciando tudo isso. Às vezes, me pergunto se é real". E a realização desse desejo, Larissa atribui ao responsável por todos esses momentos: o Balé Jovem. "Eu agradeço muito a ele por ter feito parte de tudo isso".

"Minha segunda família" – Larissa ingressou no balé quando tinha 10 anos. Ao longo desse caminho, participou de vários eventos e festivais. "Tudo isso foi muito importante para o nosso aprendizado e experiência de palco".

Para a bailarina, o Balé Jovem de São Vicente é como a segunda família, já que passou boa parte de sua vida lá, se dedicando às aulas, aos ensaios, aos aprendizados e às correções. "Agradeço tudo o que aprendi, que levarei comigo para o resto da vida. E, também, às minhas professoras Geyssa e Sabrina".

No site do Balé Jovem, há uma página contando toda a carreira de Larissa, com os prêmios que recebeu, além de informações sobre seus estudos na Alemanha.

Balé Jovem de São Vicente – O Balé Jovem de São Vicente teve início em 2002 com cinco alunos. Na época, o curso se chamava Ballet no Horto Municipal de São Vicente.

Ministrado por Geyssa Alencar e Sabrina Olímpio, o Balé Jovem de São Vicente é, atualmente, uma escola particular com preços populares, que oferece 100 bolsas integrais para alunos da rede pública de ensino. Ele oferece cursos de balé clássico, dança contemporânea e jazz, além de competir nos mais importantes festivais nacionais e internacionais, representando São Vicente em cidades do Brasil e do exterior.

Desde 2006, o Balé Jovem faz parte da delegação brasileira de dança, com participação no Young American Grand Prix. Nesses anos, 18 jovens já tiveram a oportunidade de viajar para fora do País, ganhando crescimento cultural e aprimoramento técnico. Além disso, através dos festivais internacionais que participaram, alguns alunos já obtiveram bolsas de estudos no exterior.

O grupo continua no caráter social e arrecada verba através da Associação dos Amigos do Centro Cultural Balé Jovem de São Vicente. O dinheiro arrecadado serve para custear as viagens e inscrições dos bailarinos em festivais.

As inscrições para entrar no Balé Jovem ocorrem na segunda quinzena de novembro. Para ingressar no curso, a criança acima de cinco anos deve comparecer à escola com o responsável, munida de duas fotos 3x4, xerox do RG ou Certidão de Nascimento, xerox do comprovante de residência e uma taxa de matrícula. Crianças acima de sete anos apenas precisam ir até o local e se inscrever no teste, que acontece em janeiro. Neste caso, não é necessário levar documento nem pagar taxa. O início das novas turmas acontece em fevereiro.

O teste de iniciantes não exige nenhum conhecimento de balé clássico. A escolha dos alunos é de acordo com o número de vagas, físico, talento e coordenação motora. No dia do teste, são oferecidas as bolsas de estudos.

A escola Balé Jovem de São Vicente está localizada à Rua Prefeito José Monteiro, 70, na Vila Valença. Para mais informações, acesse o site ou ligue 3304-8113.


Matéria publicada no jornal laboratório Unisanta Online da Universidade Santa Cecília em 09 de novembro de 2013. Link original. Créditos da foto: Arquivo pessoal.