sábado, 12 de abril de 2014

Emoção na entrega de cão para ex-paciente do Centro São Camilo

"Ela veio para nos ensinar a dar valor a tudo o que temos. Veio nos ensinar como o amor é simples. Porque com ela você se sente amada o tempo todo”. Foi dessa forma que Andréia Carvalho de Campos começou a falar da filha, Marcelle Carvalho Calazans, de 11 anos, ex-paciente do Centro São Camilo. A menina que tem paralisia cerebral e epilepsia, recebeu toda a atenção necessária das equipes da pet terapia durante o tratamento. Nesta quarta-feira (9) teve uma surpresa. Ganhou de presente a cadela Bianca, uma Golden Retriever de um ano, do canil Golden Trip, de São Paulo. A criança é a primeira a receber a doação de um cão por intermédio da ONG Cão Amor.

Foi um presente antecipado. Marcelle completa 12 anos em maio. A cachorra chegou toda enfeitada à casa da família, no Parque Continental, Área Continental de São Vicente. Muito dócil e carinhosa, tinha um laço vermelho no pescoço e strass testa. Estava toda arrumada e cheirosa para causar boa primeira impressão no novo lar e, principalmente, à nova companheira.

Logo de cara, Marcelle aprovou a presença da nova amiga, que só a deixou sozinha por alguns minutos, quando resolveram levá-la para o quintal. A fundadora e presidente da ONG Cão Amor, Danielle Gravina, se emocionou ao presenciar a cena. “Levamos a Bianca lá para fora e deixamos a Marcelle na sala. A Bianca se apoiou na janela e ficou de olho na Marcelle. Foi emocionante”.

A ideia da doação nasceu entre uma conversa com a dona do canil Golden Trip, Ana Carolina Navarro, que se sensibilizou com o caso. “Eu comentei a história e ela se disponibilizou a doar o cachorro. O objetivo é que o cão ajude no tratamento da menina. Elas vão criar uma sintonia a ponto da Bianca perceber quando a Marcelle não estiver bem. Além disso, ela vai interagir com o cão e isso a ajuda a desenvolver os movimentos”, conclui Danielle.

O primeiro contato de Marcelle com a pet terapia foi no Centro São Camilo, em uma das visitas da ONG Cão Amor. Andréia conta que não acreditava que isso pudesse melhorar o desenvolvimento da filha. Tanto que foi o pai quem percebeu os benefícios. “Ela ficou com um cachorro menor no colo e um maior nos pés. Não acreditei quando a vi movimentando os pés por iniciativa própria. Foi a primeira vez”. Por coincidência, o maior era a cadela chamada Bela, irmã de Bianca.

A família tem outros dois animais de estimação: um gato e um cachorro de porte menor. Mas eles não chegam perto de Marcelle. “Nunca imaginei que essa interação pudesse ajudar no tratamento dela”. Andréia, que deixou de trabalhar para se dedicar à filha, conta que não tem como acompanhá-la o dia todo. “Nós temos outras ocupações, como preparar a comida, cuidar da casa. E o cão poderá ficar com nossa filha o dia todo. Será uma companheira”.

Foi amor à primeira vista. Bianca não abandonou Marcelle durante toda a tarde, nem quando a menina foi para a cama. Por volta das 17 horas, o pai visitou o quarto da filha e se surpreendeu com a cena que presenciou: Bianca estava deitada embaixo das pernas de Marcelle e, a garota, visivelmente contente com a presença da amiga.

Superação – Marcelle nasceu prematura de seis meses. A mãe conta que não teve nenhum problema na gestação e era perfeita. “Com 15 dias de vida, o médico pediu uma ultrassonografia cerebral e constatou que ela tinha endocefalia. “Ele disse que minha filha não tinha chance de viver”. Sempre com muita fé, a mãe não se deixou abalar pelo diagnóstico: “O meu Deus é quem dá e tira a vida. Eu sabia que minha filha iria sobreviver”.

O quadro se complicou quando a criança ficou com meningite. “Foi aí que ela perdeu a visão e a audição e ficou epilética”. Segundo Andréia, Marcelle chegava a ter duas convulsões por dia.

Hoje, com 11 anos de idade, Marcelle provou a todos que é um milagre. “Mesmo sem expectativas do médico, hoje minha filha está aqui, com quase doze anos. Ela luta todo dia para viver, enquanto muitos não dão valor à vida. Minha filha é uma guerreira”.

A família não perde a esperança na recuperação de Marcelle. “Eu tenho fé que minha filha vai andar e que a Bianca será a responsável por isso. Tenho fé que ela vai se recuperar e que, um dia, estará ajudando a ONG e levando a Bianca para os locais. Ela vai se levantar”, se emociona o pai.

Desafios – A ONG Cão Amor é de Praia Grande, mas faz visitas a hospitais e centros de reabilitação pela Baixada Santista e ABC Paulista. A equipe é formada por voluntários, que ajudam a prosseguir com o projeto. A fundadora e presidente da ONG, Danielle Gravina, conta que há muitas dificuldades. “Já aconteceu de não visitarmos um local porque não tínhamos como abastecer o carro”, lembra. Tantos desafios já fizeram com que Danielle quase desistisse. “Mas, aí, vejo os benefícios que a pet terapia trouxe aos pacientes e que, por isso, preciso continuar”, conta emocionada.

A ONG Cão Amor está à procura de voluntários e pessoas para prosseguir com o trabalho. “Para mim, seria uma alegria ter condições de doar mais cães aos pacientes e ajudá-los no tratamento em casa. Mas isso, no momento, não é possível”. A ONG aceita voluntários que possuam cachorros e que possam disponibilizá-los para as visitas, além de pet shops e auxílio com custos, como banhos e alimentação dos cães.

Para ajudar a ONG Cão Amor, o interessado pode entrar em contato pelo site www.caoamor.org ou pelo telefone (13) 3494-7098.

Release publicado no site da Prefeitura de São Vicente em 10 de abril de 2014. Link original. Foto por Júlio Cesar Silva Gama / Seicom.