domingo, 6 de abril de 2014

Estilo que (não) vem da cabeça

Foto: Juliana Duarte

A adolescência é a fase na qual ocorrem mais mudanças e quando há mais tensões na vida do ser humano. É nesse período que o jovem forma sua opinião, concretiza suas preferências e tem contato com novos sentimentos e sensações. É nesta fase, também, que ele quer tentar de tudo, se expressar e mostrar sua independência.

Uma forma de fazer isso é usar o próprio corpo. Alguns se tatuam. Outros colocam piercings no nariz, no lábio ou usam alargadores nas orelhas. E outros usam os cabelos, tingindo os fios de cores diferentes do comum.

Renata Rocha Mendes Ferreira, de 19 anos, aderiu à moda dos cabelos coloridos e fez uma mecha rosa. A professora, que sempre sonhou em ter uma cor diferente nos fios, diz que nunca pode tingi-los completamente por razão da profissão. Segundo a mineira, em uma das escolas onde trabalha, ela precisa prender o cabelo para esconder o rosa da mecha tingida. “Eles consideram ‘má influência’ para os alunos e os pais deles não aprovam”, confessa.

Renata diz que não é apenas no trabalho que sente a reprovação. Ela conta que as pessoas sempre a ‘olham torto’ por conta da cor no cabelo e que a família não aprovou. “Mas meus amigos e colegas gostaram e acharam que [a mecha rosa] combina bastante comigo”.

A mineira, além de fazer a mudança no visual, gravou todo o processo e o colocou no Youtube. Com uma média de 37 mil visualizações, o vídeo mostra o passo-a-passo de como tingir a mecha do cabelo. Renata, que também é blogueira, postou tudo em sua página na internet, chamada Ideias de Menina, e escreveu uma matéria sobre o tema em uma revista.

Já a professora de Informática Camila Carla Pires da Silva, mais conhecida como Camila Mabeloop, diz que sofreu menos preconceito do que imaginava. Pelo contrário: a paulista conta que conseguiu o atual emprego justamente pela cor diferente nos cabelos. “Meu chefe queria alguém moderno, então casei com a sorte”.

Camila conta que as aceitações da família e amigos foram equilibradas. “A sorte é que o meio onde vivo é bem atual e não se importam mais tanto com isso”. Segundo ela, todos já a conheciam bastante, então não foi a nova cor de cabelo que influenciou a sua personalidade.

Além disso, ela sabia que os amigos a conheciam bem e que ela não mudaria só por uma cor diferente nos fios. Mas, segundo Camila, o lado mais complicado foi a aceitação dos seus alunos, que são mais velhos e têm uma professora de apenas 17 anos de cabelos coloridos. “Mas nada supera a sensação de liberdade”, destaca.

O contrário aconteceu com a dona de casa Karen Cristiene Fernandes Mariano, de 21 anos. A paulista teve total apoio dos amigos e familiares. “Meu marido até me dá força para sempre deixar o cabelo colorido”, diz. Segundo ela, até a irmã seguiu os mesmos passos.

Karen conta que sempre quis ter a cor diferente nos fios, mas por falta de permissão da mãe e por conta do trabalho, na época, não tingiu o cabelo. Logo após que saiu do emprego, Karen tingiu as pontas de roxo e, mais tarde, acrescentou o rosa. Atualmente, segundo ela, todos em Porto Feliz (SP), cidade onde mora, se lembram dela por conta das cores nos cabelos.

Para Camila, o lado negativo de ter um cabelo com cor diferente é o julgamento, já que muitos associam a mudança no visual com sexualidade e estilo de música favorito. “Como se só esses grupos de pessoas pudessem ter o cabelo colorido”. Renata também tem a mesma opinião e completa: “Cor de cabelo não muda caráter, as pessoas deveriam entender mais isso”, reclama.

Matéria publicada no jornal laboratório Primeiro Texto da Universidade Santa Cecília em 08 de maio de 2013. Link original.