domingo, 6 de abril de 2014

Jornalismo da Depressão é sucesso no Facebook



Era o primeiro dia de dezembro de 2011 quando o estudante de Jornalismo da Unisanta, Rafe Aguiar, criou a página Jornalismo da Depressão no Facebook. De início, a fanpage foi uma "tentativa frustrada de organizar o grupo da classe". Não funcionou. Afinal, a `classe` se expandiu e, atualmente, conta com mais de 114 mil pessoas.

"Eu não esperava que fosse crescer tão rápido". Mas cresceu. Ele se lembra de que a página chegava a ganhar mais de sete mil novas curtidas em apenas um dia. "No começo, nem minha mãe acreditou. Ela só levou a sério quando comecei a dar palestra".

"A fanpage foi uma brincadeira que deu certo". Porém, é levada bastante a sério. Rafe atualmente faz estágio em uma assessoria de imprensa pública e em um jornal impresso diário. E não descuida da página. O segredo? Ele conta: "não durmo".

Além de fazer posts, Rafe e sua equipe também se dedicam a interagir com o público. “Lá você tem colegas para te ouvir e colegas para serem escutados”. Desde o meio do ano, a colega de classe Alexa Flambory ajuda na fanpage. "Depois que ela entrou na equipe, a página deu a guinada que faltava", conta Rafe. "E ela é super organizada".

Quando entrou na equipe da Jornalismo da Depressão, Alexa encontrou mais de 4 mil mensagens para responder. Hoje, é ela quem cuida dessa parte. "A Alexa tem um padrão de resposta e até briga comigo quando fujo dele", conta Rafe.

As mensagens recebidas vão desde pessoas deprimidas até pedidos de patrocínio para pagar a faculdade. E ninguém suspeita que, na realidade, quem está do outro lado são estudantes de Jornalismo. "Muita gente pensa que já somos formados", diz Alexa.

O retorno que recebe com a dedicação não vem em forma de dinheiro. Para Rafe, o mais importante é o amadurecimento que a página o proporcionou. "Vi que eu podia evoluir mais e ainda posso evoluir mais".

Público - O sucesso não se limita só ao Brasil. De acordo com os dados do Facebook, a página tem público em países como Alemanha, Moçambique, Japão, Egito, Espanha, Canadá, entre outros.

Após quase dois anos de vida, a Jornalismo da Depressão deixou de ser uma página de desabafo para se tornar um happy hour de colegas de profissão espalhados pelo País e até pelo mundo. Rafe diz que, com os estágios, ele acabou mudando sua visão de como trabalhar na fanpage. "Ela foi amadurecendo e crescendo junto com o público".

Além da página no Facebook, Rafe cuida das redes sociais da Jornalismo da Depressão e do blog Coisas de Jornalista. Este é o espaço onde ele publica textos, dá dicas de linguística e oferece espaço ao leitor para divulgar seu trabalho. "O blog é voltado para completar possíveis deficiências que o jornalista possa ter, tanto na formação pessoal quanto na acadêmica".

Para o próximo ano, a ideia é criar um canal no Youtube. "Quero dar oportunidade para o pessoal produzir e divulgar seu conteúdo". Rafe está preparando a equipe e equipamento para concretizar o projeto. "Mesmo que a Jornalismo da Depressão possua uma proposta humorística, minha intenção é torná-la uma válvula de escape. Não faço a página sozinho. Faço a página com os outros mais de 114 mil".

Entre os `fãs`, está a estagiária Arianne Barromeü, 19 anos, de Recife (PE). Ela diz que esse espaço para os leitores opinarem e participarem de projetos é o que falta em muitas páginas. Ela não é da área de Jornalismo, mas se identifica com o conteúdo. "O que me faz acompanhar a fanpage é o carisma e a ligação do dono com o público".

Para a estudante de Jornalismo de Fortaleza (CE), Herlene Santos, a proposta da página é bem interessante e condiz com a realidade. "Ela demonstra claramente que certos momentos `deprê` da profissão não estão restringidos só a algumas pessoas". Ela conta que, quando conheceu a página, era caloura no curso e queria ver suas futuras depressões em uma rede social, de um jeito cômico e, ao mesmo tempo, trágico. "A página torna-se um reflexo bem humorado da complexidade e da simplicidade da área que, mais do que ser de trabalho, é de conhecimento".

Anonimato – Por oito meses, era desconhecido o responsável pela fanpage. Segundo a estudante de Jornalismo e colega de Rafe, Thamirys Teixeira, isso mudou quando, em uma palestra sobre Jornalismo Digital no Sesc, um dos palestrantes – que não morava na Cidade – comentou sobre a página. Rafe conta que, no fim, revelou que era o dono da fanpage ao palestrante. "Ele disse que eu era o ídolo dele".

Palestra – O sucesso da página é tanta que rendeu a Rafe Aguiar duas palestras no Social Media São Paulo (SMSP). A primeira, que aconteceu em Santos, reuniu outros quatro blogueiros da Região. Já a próxima será no dia 9 de novembro.

No evento, que começa às 9h, Rafe vai falar sobre "Humanização da Profissão do Jornalista Digital". A palestra vai acontecer no Senac São José dos Campos, localizado à Rua Saigiro Nakamura, 400, na Vila Industrial. A participação é gratuita. Mais informações, como outros palestrantes, podem ser encontradas no site do Senac.


Matéria publicada no jornal laboratório Unisanta Online da Universidade Santa Cecília em 26 de outubro de 2013. Link original. Créditos da foto: Arquivo pessoal.