terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Projeto elimina carne às segundas-feiras nas escolas públicas

Vereador Benedito Furtado diz que objetivo é oferecer refeições saudáveis no município

Você conseguiria tirar a carne do seu cardápio por um dia na semana? O vereador Benedito Furtado (PSB) apresentou um projeto de lei na Câmara de Santos para implantar no Município a Segunda Sem Carne, campanha mundialmente conhecida. A primeira audiência pública aconteceu no dia 10 de março na sede do Legislativo. 

Se a lei for aprovada, os refeitórios públicos de Santos, como nas escolas, vão trocar, às segundas-feiras, a carne animal por alimentos que contenham proteínas. O vereador conta que as unidades de
saúde que servem comida não estão incluídas no projeto. “Futuramente queremos tentar parceria com o Governo do Estado para colocar a campanha no Bom Prato”.

O objetivo é oferecer refeições saudáveis aos munícipes. E o foco nas unidades de ensino não é à toa. “Queremos conscientizar nossas crianças sobre a importância da alimentação balanceada e os malefícios do consumo excessivo de carne animal”.

O vereador, que está em seu quinto mandato, conta que o projeto é só uma semente que está plantando. “Ele é o começo para algo maior que queremos trazer ao Município. Queremos que os santistas entendam a importância da preservação do meio ambiente”.

BENEFÍCIOS
A campanha Segunda Sem Carne tem como slogan “Pelas pessoas. Pelos animais. Pelo planeta”. Comer menos carne de origem animal traz benefícios à saúde. Uma pesquisa realizada pela Universidade de Harvard aponta que essa redução traz menos riscos de câncer e doenças cardiovasculares.

A importância da campanha para o meio ambiente está na redução de consumo de água, por exemplo. “Há mais de 7 bilhões de pessoas na Terra. Para produzir carne para todos, é preciso criar milhares de animais que consomem água, comida, espaço e produzem uma grande quantidade de excrementos, que causam poluição e contaminação”, diz a gerente de campanhas da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), Mônica Buava. A instituição foi a responsável  por trazer a Segunda Sem Carne para o Brasil.

Produzir um quilo de carne bovina no Brasil equivale a emitir 335 quilos de gás carbônico, como aponta um estudo de 2012 publicado por Kurt Schmidinger, da Universidade de Viena, e Elke Stehfest, da PBL Netherlands Environmental Assessment Agency, agência holandesa que avalia o impacto ambiental da atividade humana. Além disso, a Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que o setor pecuário é responsável por 14,5% das emissões de gases do efeito estufa globais oriundas de atividades humanas.

Na justificativa para implantar a campanha em Santos, o vereador Furtado cita mais dados. Entre eles está outro levantamento feito pela ONU que aponta o uso de 72% da água disponível no Brasil sendo utilizada na agricultura. “Para se ter ideia do volume de água gasto com a produção de carne de origem bovina, a cada um quilo, gastam-se 15 mil litros de água, desde a alimentação do gado, banho dos animais e consumo dos mesmos”, mostra um trecho do projeto de lei.

Sobre os dados de economia da campanha, Mônica afirma que é difícil saber o impacto da Segunda Sem Carne no País. “São milhares de apoiadores, pessoas que muitas vezes nem temos acesso e a cada semana mais e mais pessoas estão aderindo”. Os dados que a SVB tem são com base no projeto Merenda Vegetariana, que acontece na cidade de São Paulo desde 2011. A cada 15 dias, cerca de 937 mil alunos, estudantes desde a creche até à Educação de Jovens e Adultos, consomem pratos vegetarianos.

A CAMPANHA
A campanha Segunda Sem Carne chegou ao Brasil por meio da Sociedade Vegetariana Brasileira, em parceria com a Secretaria do Verde e Meio Ambiente de São Paulo. Ela foi lançada na cidade em 2009, mas já acontece em outros países, como Estados Unidos e Inglaterra, onde é encabeçada pelo ex-Beatle, Paul McCartney. No Brasil, a campanha também chegou em outras cidades, como Curitiba, Rio de Janeiro e Brasília.

O objetivo é conscientizar as pessoas do impacto que o uso de produtos de origem animal na alimentação tem sobre a sociedade, a saúde humana e o planeta, convidando-as a tirar esse alimento do prato pelo menos uma vez por semana.

Segundo Mônica, os serviços da campanha vão desde a conscientização dos munícipes e funcionários públicos, até leis e programas que implementam uma alimentação 100% vegetariana em escolas públicas e outros serviços. 

Texto para o jornal laboratorial Primeira Impressão (Ano XX - número 153) da Universidade Santa Cecília.